29º Domingo do Tempo Comum – Ano A 2026
Ideia principal: Celebramos hoje o Dia Mundial das Missões, instituído há 100 anos! Rezamos pelos missionários e por aqueles a quem eles procuram levar Jesus e, com Jesus, a Salvação. Deus criou-nos por à Sua imagem e semelhança, somos Seus, chama-nos à vida com Ele (Evangelho deste domingo). “Quanto mais estivermos unidos em Cristo, mais poderemos realizar juntos a missão que Ele nos confia.”, diz o Papa Leão na mensagem para o Dia das Missões. Da união com Jesus, brota a fecundidade missionária.
LEITURA I – Profecia de Isaías, 45,1.4-6
Assim fala o Senhor a Ciro, seu ungido […]: Eu sou o Senhor e não há outro; fora de Mim
não há Deus. Eu te cingi, quando ainda não Me conhecias, para que se saiba,
do Oriente ao Ocidente, que fora de Mim não há outro. Eu sou o Senhor e mais ninguém».
- A 1ª Leitura foi extraída do "Livro da Consolação" do Deutero-Isaías (Is 40-55), um profeta anónimo que cumpriu a sua missão na Babilónia, entre os exilados judeus. Estamos na fase final do Exílio, entre 550 e 539 a.C.. Desponta na Pérsia uma nova estrela da política internacional: Ciro que, em 539 a.C., depois de sucessivas vitórias militares, entra vitorioso na capital babilónica, onde é recebido como libertador.
- Ciro, rei dos persas, é chamado à maneira dos reis do Povo eleito, como o “ungido” de Jahwéh, ou seja, “Messias”, “Cristo”, um título extraordinário! Ele permitirá que os exilados regressem à sua Pátria e reconstruam o Templo. No mesmo texto, um pouco mais atrás (Is 44,28), o Profeta havia-lhe atribuído um outro título grandioso, pondo-o na boca de Deus: “É o Meu pastor, e ele cumprirá a Minha vontade”.
- Estaremos diante do salvador esperado, o messias? Não, obviamente… o Profeta faz mesmo questão em repetir: “quando ainda não Me conhecias” (vv.. 4-5). Aliás, o próprio Ciro atribuiu as suas vitórias à proteção do deus Marduc, divindade principal da Babilónia. Foi instrumento do Senhor para libertar o povo da escravidão da Babilónia, e esta é a surpresa… realizou essa missão sem ao menos ter consciência dela.
LEITURA II – Primeira Carta aos Tessalonicenses 1,1-5b
Paulo, Silvano e Timóteo à Igreja dos Tessalonicenses, que está em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo: […] Damos continuamente graças a Deus por todos vós, ao fazermos menção de vós nas nossas orações.
Recordamos a atividade da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança
em Nosso Senhor Jesus Cristo, na presença de Deus, nosso Pai […].
- Neste e nos próximos quatro domingo iremos escutar trechos 1ª Carta aos Tessalonicenses, o escrito mais antigo do NT. Tessalónica era, na altura, o mais importante porto marítimo da Macedónia, por onde se faziam as trocas comerciais, mas também entravam as ideias e os cultos de todo o Mediterrâneo. Estrabão descreve-a com uma “cidade populosa, despreocupada e aberta a todas as novidades, boas e más”.
- Tessalónica recebeu o nome da irmã de Alexandro Magno, casada com o general Cassandro, fundador da cidade. Paulo chegou lá por volta do ano 50, acompanhado de Silvano e Timóteo, companheiros da 2ª viagem. Três meses depois, tiveram de abandonar a cidade devido à hostilidade da diáspora judaica. Mas da sua evangelização, ainda que apressada, floresceu uma comunidade cristã numerosa e entusiasta.
- Teremos tempo, para aprofundar os ensinamentos desta Carta. Por hoje, fixemo-nos “eukharistéô”(“dar graças”) dos remetentes da carta… O motivo é a fidelidade dos tessalonicenses, traduzida em atitudes de conversão e de transformação; 20 anos apenas após o Acontecimento, São Paulo refere-se ao mistério central da nossa fé dirigindo a sua ação de graças ao “Pai”, ao Filho, “o Senhor Jesus” e ao “Espírito Santo”.
EVANGELHO – Mateus 22, 15-21
[…] «Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus,
sem Te deixares influenciar por ninguém, pois não fazes aceção de pessoas.
Diz-nos o teu parecer: É lícito ou não pagar tributo a César?».
Jesus […] respondeu: «Porque Me tentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do tributo».
Eles apresentaram-Lhe um denário, e Jesus perguntou: «De quem é esta imagem e esta inscrição?».
Eles responderam: «De César». Disse-lhes Jesus:
«Então, daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus».
- Aquece a controvérsia entre os fariseus, aliados aos partidários de Herodes Antipas, com Jesus. É preciso um pretexto para incriminar o Mestre. A questão deste Domingo, é delicada: a obrigação de pagar os tributos ao imperador de Roma… Se Jesus concordasse com o pagamento, era colaboracionista com ocupantes; se não concordasse, era, então, um revolucionário… Como sai Jesus desta armadilha?
- Mestre, és sincero; ensinas a verdade; não fazes aceção de pessoas… Jesus, na resposta a estes aduladores, chama-lhes hipócritas! E pede-lhes a moeda do imposto, que, apesar de estarem no Templo, mostram. Um denário: no centro a imagem de Tibério César, e a inscrição: filius divis, “filho de um deus”. Não respeitam nem o 2º mandamento, que proíbe as imagens, nem o 1º, que proíbe o culto a outros deuses.
- O seu a seu dono… o denário é para devolver a César. Jesus, o Filho de Deus, é para devolver a Deus. Como querem aqueles hipócritas – e acabarão por fazê-lo… - entregar Jesus a César? Mais: todos os homens e mulheres, incluindo o imperador, criados à imagem de Deus (Gn, 1,26-27), são de Deus! Quem se apropriou de qualquer homem ou mulher, usando-o ou explorando-o, deve restituí-lo ao Seu Senhor!
Rezar a Palavra
Dia Mundial das Missões… Deus tem um projeto de felicidade para os Seus filhos… quer que todos se salvem! Por isso há muitos que partem! Hoje dou graças por esses e essas que, imitando as missões do Filho e do Espírito Santo, para que nenhum dos filhos do Pai do Céu se perca, partiram! Senhor, inquieta-me! Na retaguarda que posso eu fazer pelas Missões? Para que todos os povos Vos louvem, ó Deus! Amem!
Cónego Armando Duarte
18 de outubro de 2026