Santa Filomena em Portugal

Palavra Dominical - Partilha do Diretor Espiritual

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30º Domingo do Tempo Comum – Ano A 2026


Ideia principal: Amor a Deus e amor aos irmãos… Tudo o mais é explicação, desenvolvimento, aplicação à vida prática destas duas coordenadas fundamentais da vida cristã. O amor está no centro da experiência cristã; já no Antigo Testamento, quem prejudicasse um irmão mais pobre, mais débil ou indefeso, ficava fora da órbita da Aliança. Os tessalonicenses aprenderam a percorrer o caminho do amor e da entrega. Amando-se uns aos outros como irmãos, tornaram um sinal do Evangelho em pleno mundo grego.


LEITURA I – Livro do Êxodo 22,20-26


Diz o Senhor: «Não prejudicarás o estrangeiro, nem o oprimirás, […] Não maltratarás a viúva nem o órfão.
Se lhes fizeres algum mal e eles clamarem por Mim, escutarei o seu clamor; […]
Se emprestares dinheiro […] ao pobre […]não procederás com ele como um usurário […]
Se receberes como penhor a capa do teu próximo, terás de lha devolver até ao pôr do sol,[…].
Com que dormiria ele? Se ele Me invocar, escutá-lo-ei, porque sou misericordioso.


- A 1ª Leitura é constituída por 4 dos 6 “mixpatîm” formulados na 1ª parte do Código da Aliança. Designa-se por Código da Aliança a secção do Livro do Êxodo que vai 20, 22, a 23, 19; um conjunto de algumas prescrições legais. Os “mixpatîm”, são formulados de modo condicional: “se…”, enquanto as leis apodíticas da 2ª parte do Código da Aliança, são formuladas de forma imperativa.

- Se Jahwéh já havia dado o "Decálogo" (cf. Ex 20,2-17) para regular o comportamento do Seu Povo, quer em relação a Ele, quer no referente à vida comunitária, seriam necessárias mais leis? A vida do dia-a-dia obrigou a uma maior concretização das leis do "Decálogo". O Código da Aliança são leis que se crê terem sido ditadas por Deus a Moisés no Sinai. Por isso, logo a seguir ao “Decálogo”, têm um lugar importante.

- Todos os “mixpatîm” visam a proteção dos mais vulneráveis: o estrangeiro, as viúvas, os órfãos os pobres. ao contrário dos deuses dos pagãos que se contentavam com o perfume do incenso e se compraziam com a oferta dos holocaustos, Jahwéh indigna-se! São usadas duas imagens bem elucidativas: Jahwéh é o vingador dos oprimidos e pratica a lei de talião para com aqueles que ofendem as viúvas e os órfãos.


LEITURA II – 1 Epístola aos Tessalonicenses 1,5c-10


Irmãos: Vós […] Tornastes-vos imitadores nossos e do Senhor, recebendo a palavra no meio
de muitas tribulações, com a alegria do Espírito Santo; e assim vos tornastes exemplo […] Porque, partindo de vós, a palavra de Deus ressoou não só na Macedónia e na Acaia, mas em toda a parte […].


- Paulo continua a sua ação de graças ao “Pai”, ao Filho, “o Senhor Jesus” e ao “Espírito Santo”… Ao Evangelho pregado por ele próprio, por Silas e por Timóteo – pregação a que as suas vidas irrepreensíveis deram credibilidade – os tessalonicenses corresponderam, tornando-se seus imitadores. Seguindo o seu exemplo e vida, a sua firmeza e coragem nas adversidades levaram o Evangelho a toda a Grécia.

- A oposição dos judeus ao anúncio do Evangelho, são referidas em Atos, 17, 5-9: as muitas tribulações”… Os apóstolos e aqueles que os apoiam, são acusados, às autoridades da cidade, de traição a César, “pois afirmam que há outro rei, Jesus”. Jesus, os apóstolos e toda a Igreja – até aos nossos dias! – todos percorremos o mesmo caminho, iluminados pela Palavra, no meio da alegria e de muitas tribulações. A história prova que o Evangelho, se acolhido com alegria, contém em si um dinamismo de vida e salvação.- Jesus, nos livrará da ira que há de vir”… Quando somos nós os irados, a ira é uma paixão, um dos sete pecados capitais. Porém, quando na Sagrada Escritura a ira se refere a Deus, designa a Sua justiça punitiva. Jesus, pela Sua obra redentora, livrou-nos do merecido castigo divino.


EVANGELHO – Mateus 22, 34-40


[…] um doutor da Lei perguntou a Jesus, para O experimentar:
«Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?».
Jesus respondeu: «‘Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma
e com todo o teu espírito’. Este é o maior e o primeiro mandamento.
O segundo, porém, é semelhante a este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’.
Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas».


- Dos 613 preceitos - 365 eram proibições e 248 ações a pôr em prática – têm todos a mesma importância, ou há algum mais importante do que os outros? Depois da controvérsia sobre o tributo a César, que escutámos no domingo passado, chega a controvérsia sobre o maior mandamento da Lei. O intuito dos fariseus é atrapalhar Jesus, para poderem dizer que não é digno de crédito pois não sabe interpretar a Lei.

- A resposta supera o horizonte estreito da pergunta: o importante não é definir qual o mandamento mais importante, mas encontrar a raiz de todos os mandamentos que, na perspetiva de Jesus, consiste no amor a Deus e no amor ao próximo… «nestes dois mandamentos se resumem a Lei e os Profetas» (v.40), ou seja, a totalidade dos livros inspirados do Antigo Testamento, aqueles que revelam Deus e a Sua proposta.

- Amor a Deus e amor ao próximo… Na prática, como se concretiza? A grande preocupação de Jesus foi, sobretudo, discernir a vontade do Pai e cumpri-la com fidelidade e amor. O cumprimento da vontade do Pai é fazer da vida uma entrega de amor aos irmãos, se necessário até ao dom total de si mesmo. Assim, “amar a Deus” e “amar os irmãos” são as duas faces duma mesma moeda… ou um só mandamento!


Rezar a Palavra


Ó Deus do Amor! Em Jesus, vosso amado Filho - o Amor de Deus encarnado… revelais o modo como aqueles que Vos amam podem corresponder ao Amor que lhes tendes… escutar a vossa Palavra, discernir nela a vossa vontade e pô-la em prática. Pai Santo, ungi-me com o vosso Espírito Santo para que, na Sua força, eu Vos ame, ame os meus irmãos – Vos ame e os ame! – como sou amado por Jesus. Amem.


Cónego Armando Duarte
25 de outubro de 2026

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