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Palavra Dominical - Partilha do Diretor Espiritual

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Solenidade de Todos os Santos – Ano A 2026


Ideia principal: “Uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povo e línguas” (Ap 7,9). A última visão do mundo não é catastrófica nem pessimista. Demonstra-o a multidão inumerável de eleitos. Todos os batizados, fazemos parte dessa multidão. Percorremos a eta final, num destes dias – só Deus sabe quando… – passaremos a fazer parte da Igreja triunfante. Dá graças a Deus porque te reconheces a ti próprio entre tantos que seguem o Cordeiro, assinalado na fronte com o selo de Deus.


LEITURA I – Apocalipse de São João 7,2-4.9-14


Eu, João, vi um Anjo que subia do Nascente, trazendo o selo do Deus vivo. […]
E ouvi o número dos que foram marcados: cento e quarenta e quatro mil,[…] Estavam de pé,
diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão.
E clamavam em alta voz:[…] «Amém! A bênção e a glória,[…] pelos séculos dos séculos. Amém!».


- Do Apocalipse, a Liturgia da solenidade de Todos os Santos apenas proclama as visões que mostram a glória de Cristo e a Salvação daqueles que n’Ele creem. Estas visões do profeta cristão trazem uma mensagem de esperança na provação que se abate sobre as comunidades, ainda tão jovens, com as primeiras perseguições. Os perseguidores, numa linguagem codificada, são designados por “Babilónia”.

- “Lavaram as suas túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro” (v. 14). Não, os eleitos não são apenas os mártires… São toda a Igreja, pois, como adverte Santo Agostinho, não se diz que lavaram as suas túnicas no seu próprio sangue, mas no sangue do Cordeiro, isto é, na graça de Deus que nos vem por Cristo. Para os eleitos, os que viveram em graça, a morte não foi mais que uma passagem deste mundo para o reino da luz.

- João, o vidente, nos descreve a Igreja celeste a partir da terrena, “neste vale de lágrimas. Contempla “as doze tribos”, a humanidade inteira caminhando em trunfo, vencendo as provações, o cansaço e as vicissitudes do tempo, disfrutando do Triunfo do Cordeiro que, imolado, ressuscitou, e faz participantes da Sua vitória aqueles que O seguem, aclamando: “Amém! Bênção, glória… pelos séculos dos séculos. Amém” (v.12).


LEITURA II – 1ª Carta de São João 3,1-3


Caríssimo: Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus.
E somo-lo de facto. […] Agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser.
[…]Na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque O veremos tal como Ele é. […]


- A passagem da 1ª Carta de São João que lemos, fala-nos com clareza da filiação divina. Para um semita, ser chamado, equivale a ser. Mas São João quer que fique preto no branco: “somo-lo de facto”. Assim, nem os semitas, nem nós, podemos ficar com quaisquer dúvidas sobre esta realidade sobrenatural que o mundo, sem fé, não pode captar nem apreciar: “O Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus” (v.1).

- Os santos, nós os olhamos como criaturas excecionais: os mártires, os confessores, os doutores da fé… canonizados pela forma heroica como superaram situações especiais. Porém, também a nós, a filiação divina nos capacita para o Céu; pela graça do batismo, que faz de nós filhos adotivos de Deus, participamos da própria natureza divina. No Céu, onde “O veremos tal como Ele é” (v.2), tornar-se-á patente o que já somos.

- Não faz sentido conceber a santidade como um luxo para alguns – poucos – indivíduos, mais do Céu que da terra… desta terra dos cristãos normais, isto é, medíocres como nós. A solenidade de Todos os Santos é a afirmação de uma santidade próxima, ao nosso alcance. Como preconiza o Vaticano II, que aponta a vocação de todos à santidade. Ou, por outras palavras, como “um negócio” que a todos diz respeito.


EVANGELHO - Mateus 5,1-12


Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se.
Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo:
«Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus.
[…] Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa».


- Depois de dizer quem é Jesus (cf. Mt 1,1-2,23) e de definir a Sua missão (cf. Mt 3,1-4,16), Mateus vai apresentar a concretização dessa missão: com palavras e com gestos, Jesus propõe aos discípulos e às multidões o Reino. Neste enquadramento, Mateus propõe-nos hoje um discurso de Jesus sobre o Reino e a sua lógica, conhecido como o “sermão da montanha” (cf. Mateus, 5-7). O evangelista agrupa um conjunto de palavras de Jesus com a evidente intenção de proporcionar à Sua comunidade os ensinamentos que estruturam a vida cristã, uma nova Lei, capaz de superar a antiga Lei que guiava o Povo de Deus.

- As bem-aventuranças que iniciam o Sermão da Montanha, são uma promessa e uma profecia de Cristo: Deus conduzirá o mundo até que o Seu Reino se cumpra. Entretanto, aqueles que são os últimos e este mundo despreza, deixando-os para trás, são os que estão mais próximos do Reino; não estão longe daqueles que, por causa do Evangelho, se recusam a pautar a sua vida pelo sucesso humano. Verdadeiramente, não estão longe daqueles que suportam a perseguição por causa de Jesus e do Seu Reino. Para passar a porta estreita que conduz à felicidade, é preciso percorrer o caminho do despojamento, da pobreza, da humildade.


Rezar a Palavra


As bem-aventuranças, a bela canção de santidade, Jesus! Trauteá-la com aqueles que as viveram, contemplar a vossa santidade, a comunhão convosco, Senhor, faz com que já me sinta bem-aventurado. Porém, não fora esse olhar com que me olhais, a vossa canção, as bem-aventuranças, seriam para mim incompreensível. O vosso olhar me reconstrói, nesse olhar entendo tudo aquilo a que sou chamado. Eu Vos louvo, Senhor! Amém


Cónego Armando Duarte
1 de novembro de 2026

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